Acordo com um tapa na cara. Uma luz ofuscante censura-me a visão. Estou no céu? Outro tapa na cara, do lado direito agora, causam-me sensação contrária. Um cabelo ruivo entra na frente da luz e faz meus olhos refletirem um vermelho sendo atacado pelo branco agressivo.
Sim, como quem lê meus pensamentos deve ter imaginado e como a minha expressão deve ter me denunciado, é ela. Mary Ann ao se dar conta de seu prisioneiro, abaixa os olhos e tenta disfarçar o sentimento de nostalgia.
A rapidez dos acontecimentos a seguir foi de certa forma cômica, do sorriso superior dos inimigos ao explodir da parede por um míssil do qual barulho eu reconhecia, não foi tempo suficiente para um suspiro. Engraçado foi que os mísseis eram sim familiares, mas não convenientemente. Uma terceira tribo estava na jogada.
Soltar-me foi rápido, carregar uma ruiva inconsciente nas costas foi prazeroso, arranjar alguma coisa com rodas e um motor foi um tanto quanto difícil. Tendo sucesso nisso, fugi com ela em meio a tiros e explosões, ao melhor estilo 007.
Após certo tempo, a mulher antes menina ao meu lado acorda. Sibila agradecimento e algo parecido com “saudades”. Levo-a a uma cidade deserta. Arrombo um antigo estalajadeiro e coloco-a em uma mofada cama. As lesões incomodam-lhe o corpo, sinto pena daquele anjo caído.
Horas depois a morte se apossa do corpo que tanto desejei. Com o sangue ainda quente antes bombeado por um coração que, enquanto vivo, era dono do meu, escrevo as últimas palavras ao aleatório e curioso leitor, já que sem metade de mim, incompleto, não posso viver. “Amei e vivi, integralmente”.
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