sábado, 11 de abril de 2009

Que saudades desse nome.

As paredes do beco permitiam que eu me escorasse nelas. Meu corpo lutava contra o cansaço, a adrenalina não dava conta de manter o mesmo funcionando, o sangue quente percorria minhas veias cada vez mais rápido, a gravidade era tanta que nem podia mirar as baratas que passavam perto de mim. Frases ditas minhas que antes percorreram as ruas, agora ecoavam na minha cabeça, “Daniele, volta pra mim”. Foi nesse dia que os homens de branco prenderam-me em seu furgão.

A água dura e fria ativou-me a consciência. Jogaram-me num quarto pequeno e funesto, do qual as chaves meu tato nunca experimentou. Minhas roupas sem cor misturavam-se às paredes do pequeno cômodo, tão insignificante quanto a ratazana que visitou-me algumas vezes pelo buraco na parede.

Foram dias e mais dias sofríveis, ouvir coisas contra meu gosto causavam-me asco, principalmente cousas relativas à minha mulher dos olhos bonitos. Meu corpo era difícil de derrubar, a não ser pelas batentes de porta que minha alta cabeça insistia atingir. Conflitos não foram poucos, não agüentava dirigirem sujas palavras à senhorita Cunha.

Conflitos que levaram à um dia fatídico. Achei que seria apenas mais um dia na solitária comum, por mau comportamento. O resultado foi outro, punhos e cacetetes maltratavam minha pele, nada comparado ao que foi dito. “Daniele morreu, acostume-se”. “ A mulher na rua não era a Daniele”. As palavras proferidas machucaram-me a alma de tal jeito que nem um braço de qualquer viking conseguiria. Ao final da lição lançaram-me um papel.

Então está decidido. Vou seguir em frente sem depender de um amor inexistente no plano material. Pego o papel, uso o verso para escrever, “Cansei de esperar Daniele, te encontro lá”. Começo algazarra na pequena “moradia”, ameaço piromania, a resposta é imediata, resisto intencionalmente, em poucos momentos minha cabeça jorrava um vermelho brilhoso e meu corpo jazia derrotado no chão. Então reli a frente do papel. “Atestado de Óbito”. “Nome: Daniele Santos Cunha”. Que saudades desse nome.

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