sábado, 14 de fevereiro de 2009

Sugestões de amigos o/

Má Nunes sugeriu amizade, a Ana Clara sinceridade, tentei passar essa relação de um modo diferente.

Tabu da amizade

A música marca meus passos. Os fones não deixam meus ouvidos. As pessoas mantêm-se indiferentes aos meus passos sincronizados. Sim, meu pequeno mundinho. No meu mundo de Platão, idealizado e imaginado, nada falta, morte por marasmo não existe, protegido igual à Ilha de Malta, um amigo que come alpiste, nem feliz nem triste.

A vida não é amiga, não no sentido fidedigno do ser. Ela nos prega peças, deixa o quebra-cabeça incompleto. Tudo fala numa floresta. Árvores oferecem conforto, flores a beleza que encontramos nas bonitas senhoritas. Já as aves, elas não falam, elas cantam, dizem com amor, com carinho, consideração, com sinceridade.

Quando fui para a selva da cidade, onde campos cinza e criaturas irracionais de sobra tomam o cenário, onde a cor não perde a continuidade, onde tudo é igual, virei animal. Meu primeiro amigo era diferente. Diferente o suficiente, diferente igualmente.

Num processo de introversão, amigos sobram, independente da equação. Mas o primeiro não, ele não sobra nem falta, ele completa. Sua voz ressoa no espaço com algum tipo de fidelidade que não percebo na boca de ditas relações confiáveis. Seus olhos expressivos refletem o carinho que expresso por ele.

Acordo com um brilho incomum do luar. Algo me chama atenção numa escuridão na qual nem o ar faz menção de movimento. E então descobri o que interrompia a homogeneidade da cena, faltou o brilho dos olhos de meu companheiro. Finalmente, não felizmente, o Staphylococcus aureus venceu uma amizade que nem a diferença natural conseguiu. As cantorias marcaram minha memória. O silêncio cúmplice e compreensivo também. Uma lágrima irrompe dos meus olhos, o caminho da água salgada descreve: adeus, meu papagaio.


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