quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Cinza Rosa

Brilha. Como brilha. Aquilo esquenta meu corpo, ilumina meu rosto. Algumas pessoas não entendem como funciona, outras entendem, mas fingem o contrário porque não tem coragem para acreditar. Talvez se os pais tirassem 5 minutos para falar com seus filhos. Talvez se a sociedade fosse mais fácil. Talvez se cabelos pintados e cortes estranhos passassem a idéia imaginada.

Aquele meu quarto pequeno começava a cheirar mofo quando o odor de queimado tomou o ambiente. Eu sorria. Simplesmente sorria. Montes de músculos tentavam arrombar a porta, impedir o que eles chamam de incêndio. A cicatriz “Pyro” reluzia de acordo com as chamas, as quais me hipnotizavam constantemente.

Tudo começou com ela. Sim, ela. Todos pensam que paixões fazem parte do período chamado adolescência, porém erram ao achar que elas são passageiras. Posso me lembrar do brilho, não do fogo, mas da quentura de alguém que eu amei. Sua barriga coloria o ambiente de acordo com a cor da rosa que a ofereci, minutos antes.

Não demorou muito para descobrirem tudo. Foi um dia e tanto. Matar a tarde e ser preso de noite, que maratona! Posso lembrar o horror do policial ao qual eu ateei fogo, ele fazia uma dança esquisita, como se quisesse livrar-se de algo que o atormentava, compararia até com um cachorro epilético. Depois foi a vez do carro, esse aceitou bem a idéia, concordou em vestir fuligens.

Fogo vai, fogo vem, fui para o manicômio. A comida horrível e as meninas feias não faziam nada para diminuir meus instintos suicidas. Os remédios fortes me deixavam cada vez mais perto da morte. Se fosse morrer, seria purificado. Brilha, meu corpo brilha, viro cinzas agora, e me junto ao ar, para conhecer o mundo que me mandou para cá.

Um comentário:

  1. Sua paleta é especial, usa como pinceis para as cores a sua poesia densa, visual.Cinza rosa e perfeito para descrever tua alma suave e depressiva. Vc ja e mais Victor Hugo que o proprio. Gd bjs.

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