O ar rareou e tudo se tornou denso. O bom moço olhou para os lados, desesperado por alguma saída. Não conseguia gritar, vomitava palavras arfantes em seco. O terror tomou-lhe, por fim. Invadia-lhe como uma grossa árvore, enraizando-se nas mais profundas entranhas do rapaz. Quando as vinhas verdes já figuravam em todos os seus refúgios, a calma acomodou-se.
Já infectada, a vítima pôde ler em seu reflexo o que havia acontecido. Tornou-se escrava de um amor incondicional e sempre insuficiente, uma paixão inegável e inafiançável. Olhou pela janela e viu a cor das paredes, os tons da literatura, os semblantes da música. Ouviu o grito das estátuas, os lamuries do Cinema, as sinfonias do teatro.
Nascia um vício, uma necessidade. Nascia artista e poeta. Nascia nele, enfim, a Arte.
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