quarta-feira, 11 de março de 2009

Moral do Amor 2ª Parte

(Desculpem pela demora, ;x)


“Ei, Eremita”. “Acorde”. O infeliz despertador não foi bem-sucedido em sua função. Acordei em cima da hora, meu apelido lá dentro, O Eremita, devia-se a minha habilidade em estudos gerais e também por minha aparência estranha na época da minha entrada aos “Abutres do Vale”. Um jovem de 20 anos, subnutrido e com medo não passa despercebido numa iniciação.

No “refeitório”, nós comemos o que há de disponível, geralmente algum enlatado que havia sobrado dos saques às cidadezinhas do interior. Piadas sobravam num ambiente desses. Murmuro para o irmão que havia me acordado anteriormente, “Conan, aquela ervilha acabou de xingar sua mãe”.

Nossa vida era uma imitação grotesca e com TV de um Paleolítico. A rotina é ir numa vila, pegar tudo que sobrou, voltar e dividir as conquistas com a “tribo”. Talvez hábitos do Neolítico ultimamente, já que nossa organização envolveu-se num incidente bélico (entenda como tiroteio por causa de um pedaço de bacon) com uma das inúmeras facções do interior do estado. A “Lobos do Chimarrão Paulista” comanda a região noroeste do que já foi o estado de São Paulo, o problema é que não sabíamos disso.

Os veículos disponíveis eram off-roads ou afins que recebiam armas e placas de metal para proteção. Eu, magro e fraco, sou o navegador de Conan. Nós temos a mesma idade e nos entendemos muito bem. Esse nome estranho deve-se ao fato dele ser musculoso e lembrar o Conan. O nosso “bebê” chama-se Otumba Norris, porque corre igual um queniano e sendo um Hummer com duas metralhadoras .50 na frente e placas de proteção atrás e dos lados pode muito bem ser comparado ao Chuck Norris.

Na sala de “reuniões”, o nosso grande Warlord, Zangyef Paulista nos dirige a palavra. Disserta sobre os perigos de uma guerra com outra facção poderosa. Sua postura humilde era de impressionar, apesar de ter o poder de massacrar qualquer um dos presentes, ele não ostentava tal fato e trata todos como seus iguais. Distribuiu as rotas para as duplas.

Não passou batido o fato de que algumas duplas não receberam rotas naquele momento. Mais interessante ainda foi a minha dupla não ter recebido também. O Zangyef providencia para que nós continuássemos na sala. “Tenho um trabalho especial para vocês, preciso de alguém assassinado, em movimento, sem provas. O alvo está nessa pasta, espero que vocês façam um bom trabalho juntos, não quero serviço de porco nessa operação”. Na pasta entreaberta enxergo cabelos ruivos esvoaçantes e um rosto característico. Meu corpo afunda.

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